Eu atravesso a rua sem olhar para os lados.
Não paro, não penso, não ouço. Só atravesso.
Sou apenas parte da decoração.
Uma cadeira, um tapete, uma lâmpada queimada.
Sou uma lâmpada queimada e quero matar-me.
Matar-me a mim mesma, com todos os erros ortográficos,
com toda a falta de sensibilidade e eloquência que me foi destinada.
Quero matar-me com palavras obscenas e com a ausência de rima dos meus versos,
com um porém solto, sem vírgula antes nem depois.
E nem antes nem depois quero lembrar que me importo.
Ao invés de cálculos, quero ter erros de concordância nos rins.
Quero uma asfixia proveniente de todos os verbos mal conjugados que ouço todos os dias.
Eu atravesso a rua sem olhar para os lados.
Fecho os olhos e canto um trecho de Still Loving You
com uma pronúncia ruim e sem pensar no que significa.
Oh, inglês, idioma simplório! Como consegues te dar tão bem com a música?
"Time, it needs time...". Três, dois, um... e nada.
Quero matar-me. Matar-me a mim mesma.
Sem pensar, sem lembrar e sem querer,
eu atravesso a rua sem olhar para os lados.
Não havia lido nenhuma poesia sua ainda...
ResponderExcluirgostei muito dessa, "que vontade de morte", que morte por um suposto tédio da vida.
Apesar de apreciar algumas coisas..não tenho dom pra escrita.
Bjos....